quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Fusca afeminado

(Alexandro de Medeiros)

Há um mês, comprei alguns produtos em um site da Internet, que prometia entregá-los em dois dias, após o pagamento.Imprimi o boleto e paguei no dia seguinte.Passaram os dois dias e nada, uma semana e nada.Ontem, no dia que o meu pedido fez aniversário de um mês, me ligou uma moça, e disse que o meu pedido foi analisado cuidadosamente pelo responsável financeiro da empresa, o qual concluiu que o pagamento não foi processado pelo banco.Me controlei para não explodir.

- Simples assim, depois de um mês o problema não é de vocês e sim do banco?Eu perguntei.

- Exatamente senhor, nosso sistema é totalmente automatizado e a prova de falhas, o problema só pode ter acontecido no banco onde o senhor efetuou o pagamento.

Novamente me controlei, agora descarregando toda minha raiva em uma caneta que ficou espalhada por toda a sala.
- Ok!Vou até o banco conversar com o gerente. Disse para a moça.

- Tudo bem Senhor, estarei podendo ajudá-lo novamente, assim que o problema do banco for resolvido.

Foi a gota d’água. Saí batendo portas e pés, quando senti uma coisa no meu ouvido, um zunido repetido (estarei podendo, podendo, podendo).
Durante o caminho tropeço três vezes e piso nas coisas de um cachorro que esqueceu de educar seu dono.
Na frente do banco, dois seguranças sorriam enquanto uma enorme bunda entrava em seu fusca.O CARRO TINHA CILIOS NOS FARÓIS, eu nunca tinha visto aquilo e nem uma bunda daquele tamanho.
Não poderia me distrair, estava nervoso, indignado e tive que arrancar aquela imagem da mente.Confesso que foi difícil.
- Boa tarde, eu preciso falar com o gerente.Disse a um rapaz vestindo um colete azul com a inscrição ”Posso ajudar”, que estava ao lado da porta giratória.

- Dona Marta acabou de sair para o almoço; ele me respondeu.

- Como almoço, são três horas da tarde?

Essa é boa, um mês tentando receber três produtinhos e a gerente resolve almoçar logo na minha vez, nunca pensei que gerente almoçasse.Devia ter almoço para as filas do banco também, essas nunca têm folga, estão sempre lá, lotadas, ordinariamente compostas de gente de todo o tipo.
- Quando ela volta?

- Ela não volta mais hoje!

Ah! Seu eu tivesse uma caneta em minhas mãos...

Respirei fundo, e perguntei:
- Quem pode me ajudar?

- O Senhor pode falar direto no caixa.Respondeu o rapaz.

Na primeira tentativa de passar pela porta giratória o alarme disparou, o segurança me pediu para colocar todos os objetos de metal em uma caixinha ao lado, e retornar para trás da linha amarela.Só me faltava essa. Aquela faixa amarela devia ser algum aviso do tipo:

“Atenção! É melhor não entrar”.Ainda assim eu entrei.

Ao me virar para os caixas, eu a vi.Ela estava enorme, tinha umas vinte pessoas, fiquei ali uns cinco minutos, até que as coisas começaram a melhorar.Acho que era troca de funcionários e uma mocinha, bonitinha agilizou todo o processo.
De traz de uma senhora gorda eu não podia ver muita coisa, aquela cabeleira era enorme, só me restava olhar para o chão.A visão não era a mais agradável, e o pouco tempo entre um passo e outro, compensava ter que ficar olhando aquele calcanhar, que mais parecia um rinoceronte.
Chegou a minha vez.
- Boa tarde, eu vim procurar a gerente...Fui interrompido.

- Senhor o sistema caiu, infelizmente...Aí, eu a interrompi.

- Como caiu?Mocinha pegue esse sistema agora, eu preciso dele!
Será que o sistema também foi almoçar?Pensei.

- Senhor, infelizmente não estarei podendo ajudar.

Como eu queria não estar ali, e ainda mais sem nenhuma caneta nas mãos.Pela segunda vez no dia aquele zunido repetido (estarei podendo, podendo, podendo) eu estava enlouquecendo, até que tudo silenciou.
Será que valia a pena tudo aquilo?
Os tropeços, as coisas do cachorro, a fila, o sistema...
Fiquei quieto por um segundo meu.

- Senhor, o banco encerrou suas atividades por hoje.Disse um dos seguranças.

Eu cheguei ao banco às 15:01, por volta das 15:25 eu estava na fila, onde levei quinze minutos para chegar ao caixa, em menos de cinco minutos fui dispensando sem uma solução.
Aquele meu segundo durou 01:15 minutos, considerando que a agência fecharia ás 17:00. Como me deixaram todo este tempo ali parado?Será que eu não estava atrapalhando?
Do lado de fora eu tentei me lembrar o que me fez desligar daquela forma, esquecendo das coisas, do gerente, dos produtos, da fila e tudo mais. Passei todo o caminho de volta para casa pensando, até que descobri.
O que leva uma pessoa a colocar cílios em um fusca ?

Jogos de desrespeitos sociais

(Alexandro de Medeiros)

Diariamente, jogos de desrespeitos sociais acontecem, muitos participantes, todos com DAS (Deficiência Social Adquirida), se aglomeram nos pontos de ônibus, plataformas do metrô, dos trens, para iniciar a largada da corrida aos poucos bancos inteiros e disponíveis nos transportes públicos da cidade. Ao abrir as portas, todos partem, em desenfreada disparada, acotovelando-se, empurrando, chutando, defendendo-se dos que para sair são obrigados a fazer o mesmo, senão, correm o risco de iniciar a viagem de volta sem nem mesmo ter chegado.
Todos os bancos são ocupados, inclusive os reservados para pessoas com necessidades especiais e garantidos por lei.Mas nesses jogos a única lei é: Danem-se as leis, sejam elas legais ou morais.
Uma velhinha entra, bengala na mão esquerda, cotovelo direito enfaixado e todos olham sem querer ver.No primeiro solavanco, ela bate as costas no balaústre, pois, não tem condições, nem idade para sustentar o peso do corpo.
O cobrador grita:
- Pessoal vamos dar lugar para a senhora sentar!

Todos escutaram, mas ninguém ouviu.Alguns ao ver a velhinha desequilibrar até afastaram para evitar um esbarrão, outros desajeitadamente confortáveis, fingiam dormir sentados no banco reservado com o rosto virado para o lado oposto.A competição é acirrada e todos dão o máximo de sua indiferença e o mínimo de seu respeito ao próximo.
Um menino que estava sentado olhou a velhinha e levantou-se para lhe dar lugar. Imediatamente um senhor, trinta e poucos anos, bem vestido, mp5, fones nos ouvidos sentou no banco vago, após empurrar duas mulheres que também disputaram a vaga. O menino chorou, após um beliscão, seguido da repreenda do pai:

- Eu já não te falei para ficar sentado menino, agora vai ficar de pé o resto da viagem e trate de engolir o choro,viu..O menino ficou quieto, soluçando baixinho, ele conhecia bem aqueles beliscões.

Do fundo do ônibus uma garota cantava:
- Tô nem ai! Tô nem ai!Sem perceber que todos ouviam.

O ônibus seguiu viagem, a velhinha continuou de pé.Ela contou a uma outra senhora com quem dividia alguns centímetros de espaço, que machucou o cotovelo ao sair de um trem da CPTM.

- Achei que fosse morrer, quando vi, eu estava deitada no banco da estação e um punhado de gente me olhando, uns abanando, outros falando no celular.O médico falou que vai ficar inchado por três dias, e roxo por uma semana.

O ônibus finalmente chegou ao ponto final.Todos rapidamente se levantaram, e agora se empurravam para ver quem seria o primeiro a sair do ônibus, exceto a velhinha.Ela silenciosamente aproveitou para sentar um pouco.
Nesses jogos de desrespeitos sociais, os atletas são todos perfeitos...
Talvez uns ou outros tenham uns Tiques nervosos, por inoperância de um Tico ou de um Teco...
Mas com certeza, nenhum possui deficiência mental...
No fundo, a deficiência desses atletas é social, é humana, para eles o que importa nesta vida, mais do que ganhar sozinho é ridicularizar quem perdeu, mesmo sabendo que amanhã, possam ser eles, os perdedores.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

O resgate do respeito ao paciente

"A primeira impressão é a que fica"
Essa frase é velha e todo mundo sabe.Nos grandes centros a corrida frenética por um maior número de clientes fez com que essa frase ou ditado, fosse colocado de lado.O conceito é básico e é aprendido em casa, trata-se de Educação.
O mercado acreditou que com o capitalismo acelerado, práticas humanas pudessem ser atropeladas e justificadas com o som das caixas registradoras, mas os tempos mudaram e quem ainda insiste nessa idéia, fica para trás.Ao contrário do que pensam, o moderno hoje em dia, é agir com o conservadorismo no tratar com as pessoas (respeito, humildade, empatia, solidariedade) praticados em outros tempos.
A Empresa de assistência a saúde Amil, entendeu e resgatou essa prática tão pouco utilizada nas empresas atuais, e incentiva o respeito aos pacientes, colaboradores, permitindo, que estes sintam prazer em tratar uns aos outros como seres humanos e com todo o respeito que lhes é devido.
Em especial cito a Endocrinologista Livia Rocha, natural de Jundiaí, que carrega em sua bagagem humana, a simplicidade, o respeito e a dedicação a vida do povo do interior, transferindo-a para suas atitudes profissionais, preenchendo uma grande lacuna percebida nas grandes metrópoles.

Alexandro de Medeiros
Administrador e Gestor da Qualidade

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Por trás da palha...

Alexandro de Medeiros


O texto abaixo foi escrito como critica a uma politica de pão e circo, utilizada por muitas empresas em nosso país.No caso abaixo a empresa comemorava o alcance da meta de venda totalizando 1 milhão de clientes.Como gratificação, entregaram aos funcionários um milho de chocolate de aproximadamente 25cm.Se fizermos um cálculo besta, onde cada cliente equivalesse a 10 reais para o imenso bolso da empresa, imaginem quantos milhoes de milhões de chocolate poderiam ser distribuídos?Ou quantos funcionários poderiam ser beneficiados com uma gratificação adequada e que os ajudasse a saldar dividas pessoas, iniciar um curso universitário, uma poupança e etc.
A qualidade do serviço de uma empresa, deve ser avaliada não somente no produto final, mas durante todo o processo de produção e de gestão dos negócios, isso sim sustentaria a empresa e legitimaria a sua qualidade.

Por trás da palha...
24/10/2007

Pois é, novamente abusam da inteligência de uns e se esbaldam com a ignorância de muitos outros.

No Brasil, apenas 5% da produção do milho é utilizada para consumo humano e 65% para alimentação animal (ração).Gozado, mas isso nos lembra a distribuição de renda, não lembra?E, se olharmos para o nosso umbigo corporativo atentamente, provavelmente chegaremos à conclusão, de que é muito mais fácil distribuir as sobras da produção (os farelos) do que o lucro, que já estão destinados aos 5%, que correspondem à parte merecedora e humana da empresa, os pupilos do Sr Diretor.

Como se não bastasse, o milho é falso, o que intensifica a visão irracional que nos é apregoada.

Ao invés de fibras para nos ajudar a eliminar as toxinas, e nos ajudar a melhorar, facilitando a decodificação de presentes de grego, o milhão é de chocolate que é conhecidamente rico em endorfina fazendo relaxar, amortecer, e de Cafeína que é um estimulante, resultando em nosso caso, em um poderoso desestimulante para que relevemos e não percebamos o que há por trás desse milhão.
Fica a questão:
O que virá quanto chegar a 1,5 milhão? Eu aposto que será Banana Caramelada, pois milho já ganhamos, e banana comum, nós já recebemos todos os dias.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Atitude Ecológica

As consequências estão ai, ainda nos resta a opção de freá-las ou de permitir que ela nos frei o direito a vida. Não há mais o que se discutir, debater, estudar, chegou o segundo de agir, dado a imediata necessidade, pelo qual o mundo se encontra.
Houve um tempo em que falava-se fortemente em consciência ecológica, virou febre, mas esta foi amenizada por antitérmicos governamentais, por copas do mundo, olimpíadas, guerras e outras distrações, boas ou más, que nos fizeram desviar o olhar da real preocupação humana dos últimos 1000 anos.
Chegou o momento de falar-mos e insistir-mos em "ATITUDE" ecológica.
O pensamento só tem resultado e colocado em prática, e esta prática precisa ser realizada.Todo mundo sabe que é importante, economizar água, reduzir o consumo de combustível, utilizar racionalmente os recursos não renováveis, reciclar, preservar, colaborar com o Planeta.Porém, essa consciência ainda esta na consciência e precisa, chegar até os braços, as mãos, a boca, ao olhar sincero e inconformado, que são o que provocarão a Atitude ecológica e que garantirá, que a consciência durma tranquila e saudável por muitos anos.

Alexandro de Medeiros
Administrador e Gestor da Qualidade
NeCidade Verde
" A vida pede passagem"